Reação tecidual e perfil de fosfatases após o implante de matriz óssea desmineralizada xenogênica em músculo de ratos

Willian F. Zambuzzi, Marcelo C. Neves, Rodrigo C. Oliveira, Thelma L. Silva, Tânia M. Cestari, Marília A. Buzalaf, José M. Granjeiro, Rumio Taga, Eulásio M. Taga

Abstract


Neste estudo correlacionou-se o perfil da atividade das fosfatases ácidas com os aspectos histológicos do tecido reacional em resposta à implantação subcutânea de biomaterial de enxerto preparado com matriz óssea desmineralizada bovina. Cinqüenta ratos Wistar machos foram submetidos a implantação do enxerto e sacrificados após 7, 14, 21, 30 e 67 dias. As biópsias obtidas foram fixadas em formalina 10% em tampão fosfato e cortes histológicos de 6 μm de espessura foram corados com hematoxilina e eosina. As atividades enzimáticas específicas (AE) das fosfatases ácidas foram determinadas utilizando-se o p-nitrofenilfosfato (pNFF) como substrato em tampão acetato, pH 5,0, e inibidores específicos. Para a fosfatase alcalina (FALc) foi utilizado o pNFF em tampão glicina, pH 9,2, contendo CaCl2. A análise histológica mostrou infiltrado inflamatório crônico com predomínio de macrófagos e linfócitos e presença de células gigantes multinucleadas, reabsorção do enxerto ao longo do tempo, estando ausente aos 67 dias; não pode ser observada formação óssea heterotópica. A atividade da fosfatase ácida total foi elevada e constante entre 7 e 30 dias, cerca de 30,0 nmol min-1mg-1, decaindo, em seguida, para 6,9 nmol min-1mg-1, enquanto a atividade da fosfatase alcalina foi baixa, com valor máximo de 6,0 nmol min-1mg-1 aos 30 dias. As atividades PTP, FAL e TRAP corresponderam, respectivamente, a cerca de 70, 25 e 10% da FAT. Concluímos que o enxerto de matriz óssea bovina desmineralizada não induziu a osteogênese heterotópica e que as fosfatases ácida e alcalina participaram da resposta tecidual, sendo moduladas em função do tempo.



DOI: https://doi.org/10.14295/bds.2005.v8i2.393